terça-feira, 31 de julho de 2007

Cronicas da vida provisoria - Parte II





Ho trovato casa, ho trovato lavoro!

Pois bem, ontem foi o dia das decisoes, e de celebraçoes, acabado com um repasto romano, calzone e ventaglio con la pasta al'uovo por bandas da Via Flaminia. E depois uma passeggiata nocturna a partir do Castel Santangelo pelo centro, entre praçetas e historia, truncado pela soberba fachada do Oratorio dei Filippini, inacreditavel trabalho num tijolo subtil practimente sem juntas, uniforme.
Render-se à evidencia de que todos os tempos tem um Borromini...


Et voilà!

Mudam os ares por aqui. Pela primeira vez em duas semanas ha nuvens no horizonte, e julgo que ameça chover ( bem agradecia!)
Espero que estas coincidencias sejam de bom auguro.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Carta em espécie de desabafo


Sede da Ordem dos Arquitectos de Roma




"a cidade é toda ela um espectaculo continuo de historia, entranhada em tudo o que recanto e viela. é fenomenal, embora eu a tenha vindo a conhecer de um modo perfeitamente aleatorio nestas corridas diarias ( tem sido sempre dois "colloquio"s por dia, um de manha e um de tarde) acabo por ver uma cidade retalhada aos bocados entre viagens de autocarro com tempos de espera dignos de um serviço algures no paquistao e um metro com duas linhas à escala do do Porto ( verdade seja dita, esta nova linha, com ar condicionado, é bem agradavel, pena a proibiçao a bicicleta), pena que Roma seja uma cidade bem maior, cheia de "centros" de interesse além do centro centro das "sete colli"....!

à parte estes giros diurnos debaixo de calor intenso porque muitas destas bestas (compreenderias a espressao) me fazem circular às duas da tarde para entrevistas, maioria das quais para me oferecerem compensaçao economica que para pouco mais serviria para pagar casa e estripar uns quantos cigarros (que por sinal nao sao tao caros quanto isso), e as deambulaçoes pelas faculdades e chamadas telefonicas interminaveis para procurar uma casa que nao me obrigue a ir dar o cuzinho para as margens do Lungotevere (um quarto de 10 metros quadrados chega a custar 500€ mais despesas)...

sai à noite no fim de semana, San lorenzo, famoso "bairro" dos estudantes, atras da Estaçao Termini....cervejola a 2 euros no chines ( nao circulam por aqui,como em Barcelona, os Paquis a vender bejecas a um euro directamente do saco de plastico, prontos a debandar ao minimo sinal da policia....) sentados no chao, calor abrasador, mesmo às duas da matina.....
um aperitivo na ponte milvio, coisa muito fashion, a perceber no momento de pagar a conta, isto é um assalto, desenbolsa ai uns belos 6 euros por uma "coronas" (F********), cheio de esplanadas, que sao o unico sitio onde estar: esplanadas e praças, tudo o que durante o dia esteve a aquecer ao sol e nao tiver ar condicionado nao serve para sentar este architetto portoghese a trepar as paredes qual osga em recarga energetica!!! "

Cronicas da vida provisoria - Parte I

e vao duas semanas!

...desde que sai do aviao em Ciampino poucas foram as vezes que sobre a minha pele o ar quente e mole desta cidade me deu treguas. recordo com exactidao a sensaçao de estar dentro de um forno - fosse Janeiro e estivesse muito mais a Norte e talvez nao seria um problema.

Roma é uma cidade que se esvazia depois dos "ferialli", ou feiras ( da segunda à sexta), e pelas ruas desertas consegues ouvir com bastante nitidez o som cristalino da agua que jorra ininterruptamente das fontes metalicas sem torneira que polvilham quase todas as esquinas. Ao que parece as reservas hidricas por aqui sao infindaveis, a julgar pela quantidade e enormidade de lagos em torno, e talvez so assim se perceba que tamanha concentraçao e exploraçao continuada do mesmo solo continue a ter um futuro por que ansear, mas isto sao consideraçoes de geografo, arrisco-me em areas desconhecidas...

Reservas e gastronomia.
Por incrivel que pareça, nao tenho comido tanta pasta quanto isso. é incrivel a variedade de pratos que se encontram para alem da tao exportada pasta e pizza italiana. é que quando toca a suar as estopinhas para saciar a fome (mais a sede) ha que ser inventivo. Uma vez mais, a agua tem sido fiel companheira nesta vida provisoria entre fechos incertos.

calor. e um ceu invertido de uma tonalidade pardacenta de azul palido.
juro que por vezes, olhando o recorte cimeiro de certos edificios, se ve passar a dita nuvem de Smog, esse bicho que atormenta as cidades modernas. que Calvino nao se tenha enganado... que eu prefiro fazer as vezes do Sr Palomar.

"
para começar, està um calor de fazer enlouquecer, e nao è força de expressao quando digo que até o alcatrao derrete ( derrete, mas è o dos passeios e estradas, sim, pq por aqui passeios feitos em microcubo è coisa que so lembraria ao diabo, uma vez mais me lembro que no que toca a construir nòs portugueses somos uns verdadeiros artesaos refinados, e o mesmo se aplica a tantas outra coisas do foro urbano, devem ter-se cansado jà no tempo dos romanos.. por aqui è mais: pega là esta camadita de alcatrao, ò passeio, ò estrada, e ve la se resistes mais uns tempos... o que acaba por acontecer è que as guias estao "enterradas" practicamente à mesma altura da estrada, em suma, uma oportunidade sempre apreciada para quem, à falta de marcaçao de faixas rodoviarias, aproveita para encontrar lugar para mais uma fila - comparados com os romanos, no que toca a conduçao, os milaneses sao suiços e os portugueses serao alemaes!!!:!!!!!......)"


nao que estes dias se tenham parecido minimamente com a despreocupada passagem dos dias quando em ferias. Até pelas sombras se caminha esbaforido.
esta Roma que eu fui percorrendo fui-a conhecendo descentralizada, de entrevista em entrevista (foram jà nove), e entre as esperas longas pelo transporte ( o metro ainda so tem duas linhas, cruzam na estaçao central - Termini - e os autocarros, abundantes, mas de uma pontualidade incerta ) e a procura do alimento, os dias esvaziam-se em metades, e as noites encurtadas pelo calor.

Arquitectos em Roma sao iguais a todos os outros. lenga-lenga do costume, a vida esta dificil, nao ha continuidade de trabalho, ..., a proposta de receber uns trocos por debaixo da mesa (por aqui diz-se "receber em negro"), ou fazer um concurso (logo em Agosto) para atestar competencias, modica quantia paga como sinal de seriedade minima, enquanto aqui o "architetto portoghese" dava o seu melhor trabalho e esquecia qualquer praia longinqua de aguas refrescantes nos tempos imediatos...

sei que nao nasci com o cu virado para a lua, por por amor de Deus! E um serio contrato com todas as despesas pagas, seguro e assistencia medica incluidos, ferias pagas, e carro da empresa ? Pois. bem podes continuar à espera. ( Ou entao foge do Sul, alguem disse)

A julgar como se conduz em roma, dir-se-ia estar na nao tao remota india. para começar nao ha linhas marcadas no chao, primeiro porque a manutençao rodoviaria escasseia, depois porque aqui o codigo serve para ser quebrado. A verdadeira lei do desenrasca, so lhes falta mesmo conseguir empinar o carro em duas rodas,...
...Com jeitinho cabe sempre mais um.

Aqui a linha nem separa, nem ordena.

Aventura pela noite.