sábado, 8 de dezembro de 2007

Tira a mão do queixo...


credits: Carlos Lobão 2007


Sabado, 10 da manhã.

Acordo com o rufar de tambores e duas cornetas que lá fora agitam o ar com as muito usadas melodias natalicias.

Abro a janela. São cinco pais natais numa improvisada fanfarra-despertador. Ao fundo da rua, em vez do habitual caos automobilistico há uma enorme feira. Estou em Roma, mas é como se estivesse na provinciana Meda.

Preparo um café na minha Bialetti tamanho individual, e automaticamente relembro o conhecido discuro de Tyler Durden a bordo de um aviao... que ele faz a si próprio.
Enquanto espero pelo resultado da experiência fisico-quimica da água-calor-café, acendo um cigarro, e repenso os últimos acontecimentos. O Scirocco, esse vento quente africano que esporadicamente empurra o calor do Sahara para esta peninsula maldita, parece ter trazido com ele uma loucura ancestral dos povos africanos, na raiz de todos os tempos e mitos...

No Office foram anunciadas as novas remodelações, mas não da mobília (excepção feita a uma das casas-de-banho) mas de pessoal.
Sendo o recem-chegado, permaneço atónito com a noticia dos despedimentos de dois dos click-and-draggers mais antigos no escritório, enquanto olho nos olhos o patrão, que, apertando a sua mão nos meus ombros, me põe ao corrente do mesmo.

"Logo agora que o pessoal estava a criar uma dinamica de trabalho!", penso.
Talvez o problema fosse mesmo esse, o "ajuntamento" criativo foi subitamente sancionado pela mesma mão castradora que te dá o pão, antes que se rebelasse.

Eu vou-me entretendo com o projecto que tenho em mãos, a ampliação de um hotel, que é meu de raiz, e agarro a minha sanidade laboral (ou escondo-a) nas visitas imaginarias que faço ao lugar-a-ser, enquanto projecto (sim, é um verbo) nas três dimensões.
"Uma vez convencido o cliente, a responsabilidade é tua daqui até ao estaleiro", são as palavras do arquitecto sénior que me segue despreocupadamente, que andam ainda às cabeçadas dentro da minha própria cabeça, à espera de um catálogo onde cair.
Mas a sanidade, tal como a amizade, é apenas um estado temporário da alma...

O café está pronto. Sirvo-o e acendo mais um cigarro.

"Mas a sanidade, tal como a amizade, é apenas um estado temporário da alma..."
Talvez. Talvez o seja deveras. Em estocadas. Umas curtas e outras longas, que te ludibriam com uma sensação de infinitude. Mas tudo muda, tudo acaba, tudo morre.
E se as arvores o fazem quase sempre de pé, porque não os homens também?

sábado, 6 de outubro de 2007

Desabafos, Interludios e Consideraçoes breves sobre Cidadania e Barbaridade

Um dia destes, entre as interminaveis horas do trabalho forçado para acabar o concurso, assisti, às portas do Castel Sant'angelo, ao por-do-sol, a uma liçao de Historia ao vivo, digna de transmissao televisiva...

O tema era aquele, o da cidadania, que como o brilhante orador precisou vezes sem conta, è um conceito grego, mas espalhado por mao de Roma e força Latina.

Porque os Latinos eram uns tipos tramados. Viviam ali na margem sul do Tevere, donos das altezas entre colinas, andavam sempre às cabeçadas com os Etruscos, do outro lado do rio, e roubavam as mulheres aos probres Sabinos, que aquelas Latinas muito cedo perceberam que os maridos estavam mais interessados em brincar à guerra dos mundos com os amigos transteverianos, e assentaram os panos longe de Roma.
Ora assim é bem mais facil perceber como um homem possa degolar o irmao por ter ultrapassado uma linha imaginaria, talvez tivesse trocado o prazer de chapinhar na agua ensanguentada e fazer sibilar a espada, para se ir enroscar com a sua torrida latina recolhida nos verdes prados mais a este, mas isto sao tudo consideraçoes levianas....
O ponto é que da ferocidade animalesca destes homens nao resta duvida, e 400 anos depois tinham difundido a sua lingua e a sua força por um territorio cada vez maior..
E a lingua é o factor chave seja da ideia de cidadania seja da identidade.
O grego era ainda a lingua do refinamento literario, mas o latim era a palavra de instruçao belica.
As tribos e os povos que falavam de outro modo, eram os barbaros, porque falavam de um modo ininteligivel. Barbaro é um conceito de separaçao linguistica, e obviamente cultural, mas tem uma origem isolada. Barbaro era todo o mundo fora de Roma.
E os barbaros, passo a passo, enquanto Roma aumentava de territorio e de homens, foram aprendendo a lingua, porque progressivamente o exercito aumentava, e a lingua comandava-os na cidadania.
Ser cidadao, àquele tempo, era ter direitos e previlegios sobre um territorio bem delimitado mas sempre em expansao, era estar dentro e ser de dentro de Roma, ser Romano. Era um direito à nascença de uns, uma separaçao de raiz cultural de tantos.

A Europa de hoje lutarà ainda com esta pertença, mas existe um episodio marcante na historia, o edito de Caracalla (212 da era de cristo), que decreta que a todos os que habitavam dentro do territorio imperial fosse concedido o titulo de cidadao. Os barbaros afastavam-se, politicamente, cada vez mais do centro da civilidade. E a identidade do cidadao começava a estratificar-se e a perder o centro originario.
Que a raiz cultural do sul nos prove que da cultura helenistica que à força da espada e da lingua latina foi sendo espalhada restam sinais obvios e inequivocos, é constataçao inequivoca, basta lembrar o culto da imagem do corpo, considerado um marco exclusivo dos nossos tempos.
Que a raiz cultural do norte "barbaro", sempre "de fora" da civilidade me cheguem ainda hoje sinais contraditorios, é outra.
Porque descobrir que um conceito como "shadenfreude" nao exista nas linguas latinas, é algo que me deixa deveras confuso.

A civilidade serà cinica porque se esconde de si propria e a barbaridade porque denuncia os seus proprios podres?...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

...



"Levanta uma pedra do chao, e perceberás que por debaixo encontraras sempre sombra."

terça-feira, 11 de setembro de 2007

The office

Tenho andado algo perdido entre as horas acumuladas do trabalho, ou a fazer de conta que se trabalha, a menos que se entenda essa triste fazenda - o trabalho- como dar ininterruptamente corda à lingua.

Entrei para o office à pouco mais de duas semanas para engrossar a mão-de-obra-operativa que se dedica a um grande concurso para a nova sede central do municipio de Roma, a entregar no proximo 8 de Outubro, mais pormenores não adianto que a etica profisional sempre me obriga a algum sigilo.

Para começar, chamo-lhe office porque desde o inicio ficou bem claro que a estrutura era aquela da mediação entre uma serie de cabecinhas-pensadoras e a malta-do-clica-roda-e-arrasta, bem entendido que a dita mediaçao era feita por um nucleo duro de gente com interesses algo afastados da tematica propriamente dita arquitectonica, com os seus tentaculos politicos bem fincados em territorios inclinados à urbanistica e à especulaçao.


Pois bem, quando se pensa a um "office", decerto nos vem em mente ideias chave ( será melhor key concepts, ou ideias chavão?) como client specific , project management, risk management, e outra monstruosidades obtusas..., que te deixam a pensar, ou pelo menos a mim deixam, em alta produtividade, maxima organizaçao de recursos, ...

Ora bem, pelo andar da carruagem, e estando a pouco mais de duas semanas da entrega de tal colossal projecto, pergunto-me que é feito da organização? Aquela mais basica, que seria respeitar um cronoprograma, se pelo menos tivesse sido feito...
..mas isto sao tudo coisas que aqui no pais do "depois se decide" nem sequer sao tidas em conta. "deixa andar", repito a mim proprio continuamente, e tal como vai sendo adiada a intençao de deixar os cigarros, este projecto continua entalado no ventre poligamico que faz de conta que o concebe..., e o filho nascerá orfão mesmo que sobreviva à cesariana...

sábado, 1 de setembro de 2007

Tibur Apt




"Mais se estuda a Arte e menos interessa a Natureza. Aquilo que a arte efctivamente nos revela é a falta de desenho na Natureza, a suas estranhas asperezas, a sua extraordinaria monotonia, o seu absoluto imcompleto. A Natureza está cheia de boas intenções, é verdade, mas como disse uma vez Aristoteles, nunca as realiza!"(1)






(1) Oscar Wilde A decadencia da mentira

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Desabafos, interlúdios e considerações breves sobre espaço público ...

(se há tipos prácticos são os italianos - que sobre isso não haja a mais pequena duvida-, mas no que toca ao campeonato do verdadeiro desenrascanço, cuja medalha de ouro teimam obstinadamente em oferecer-nos, o campeão em titulo chama-se tambem Itália)



Do ponto de vista cultural, sem dúvida que o peso da história é aqui evidentemente sublinhado no curto espaço entre gerações, ou pelo menos será acertado dizer que esse dito fosso entre gerações encontra-se encurtado, num país desde sempre obrigado a conviver e reviver (com) as velhas rotinas, fomentando um respeito inevitavel para com a história, com um forte sentido de comunidade, por reflexo obrigatório a um territorio humano saturado de alertas antigos concorrentes numa “dolce vita“ marcada a ferro e fogo na ideia comum do Belpaese...
E quando digo comunidade não quero com isso sublinhar qualquer ideia politica moderna, futurista, ou vermelha ou de esquerda, antes um conceito político de raiz (lembre-se PolisTikón), um conceito inerente à administração da polis, ao mundo de Remo encerrado dentro do pomério, onde inevitavelmente havia tarefas a ser divididas. A titulo de exemplo lembro que não há muitos anos no nosso país, e porventura ainda hoje num Alentejo pequeno e rural com traços de comunidade ainda profundos, a fonte e o forno representam um esforço mútuo no que diz respeito ao cumprimento das necessidades básicas da vida quotidiana.
Pois bem, precisamente a fonte e o forno são sem sinal de dúvida dois simbolos desta vida antiga em comunidade, que fizeram esta viagem de mais de dois milénios e, sem o menor espanto, fazem ainda hoje parte da rotina diária em Roma. E o mesmo se pode dizer das termas de que falei outro dia, as de Saturnia...
Há em Itália, e é inquestionavelmente um exemplo, coisas essencias do foro público que estão à disposição da inteira comunidade.
O reverso da medalha vejo-o eu em tudo ao que o detalhe do espaço publico diz respeito. Mas já lá vamos.
O nosso, o espaço público, que pouco uso tem, (excepção feita àquele relativo ao uso do carro, mas esse será uma outra coisa, de outro cariz, pelo menos, ainda assim temos a civilidade centro-europeia de conduzir, dentro da cidade, entre as marcações rodoviárias –sim, isto é uma critica à vossa condução, ò bárbaros romanos), a que um arquitecto Siciliano quis chamar os “Jardins Secos”,(a meu ver, expressão mais que acertada, basta pensar nas ultimas intervenções na Praça da Batalha, Aliados, Poveiros), espécie de museus-das-coisas–que-não-são-o-que-as-coisas-podiam-ser-mas-continuamos-orgulhosos-de-ter-estes-espaços-em-potência, um museu onde se mostra que houve (há) um tempo e um lugar de uso colectivo, mas que a ninguém parece importar, pelo menos pouco patente entre o comportamente nativo mas bastante menos sobre aquele importado.
Certo, entre praças-negativo-da-malha, esplanadas-de-recanto-de-passeio-protegidas-entre-plantas-envasadas, bancos-de-jardim-verde-de-separador-central-numa-via-larga, variadissimas sao as apropriações engendradas que muitas vezes nascem espontaneas como cogomelos.... lá fora, ou se cá dentro, sempre rodeadas de um recalcado valor turistico ou sentimental por um passado boémio do tempo dos grandes poetas.
Em Portugal, onde pouco ou nada disto acontece (assim acontecia, hoje ficou-nos um certo olhar), parece ser obrigatória uma espécie de via instituicional, há que requerer a papelada e preencher o impresso correcto, pedir autorização a um dito El-Rey-de-uma-bela-merda e esperar que um Arquitecto-Chuchão interprete o alinhamento sideral de Venus com nao sei que coisa, que a Sociedade-Construtora-Chapa-Quatro-vulgo-Administração-Encapuçada aguarde o momento em que Estado-que-supostamente-somos-todos-nós apanhe o sabão e zás-tráz, a obra nasce, Deus não quis coisa nenhuma, e o Homem afinal tinha sonhado, mas era com a Katherine Hepburn....
...se no País-das-bananas querem ver frutos, talvez seja melhor começar por plantar bananeiras nas praças.

Não que este processo seja diferente noutras paragens, pelo menos no Sul mediterranico, mas como sempre, há uma linha invisivel que divide, e no que toca a aparencias, Espanha e Itália tem muito mais a oferecer ao flaneur à deriva.
O lado perverso da coisa é que como tudo o que se expõe a um uso continuado acaba por ganhar um desgaste profundo, então a estratégia (pelo menos a italiana, quer-me parecer; nuestros hermanos situam-se num patamar intercalar) parece ser não dispender demasiados esforços no detalhe com o qual as coisas são construidas, ao ponto de me questionar se realmente chegam a ser desenhadas em projecto (aquele real, como nos ensinaram a nós, escrutinado pela escala do pormenor, do detalhe minimal, onde só falta dizer às formigas por onde caminhar....), ou se são um mero exercicio de conhecimentos por quem assenta as mãos directamente na obra material. Só assim, e voltando ao tema, se entende como possa imperar, sempre e de cada vez, a lei do desenrascanço, mas um desenrascanço que olha ao lado mais practico das coisas, sem se demorar no detalhe, que investe claramente contra a legislação mais genérica, e de forma chocante o senso comum, pelo menos aquele português. Quero com isto dizer que fico sempre chocado com a displicencia com que são tratados os acabamentos nas ruas, passeios, praças, jardins, esplanadas, ao ponto de tudo ser uma colecção de remendos e contra-remendos, enfim, suporte horizontal qual manta de retalhos velha e gasta, mil vezes rota e remendada, mortalha negligenciada, afastada do centro da atenção pela riqueza da cidade vertical, aquela que se ergue do chão imundo, pararela ao plano do olhar. Talvez a lição seja mesmo essa, a de que temos de deixar de olhar tanto para o chão.
E é este contraste, entre o uso do espaço e a preparação do mesmo, que me deixa deveras consternado. Comparativamente ao desalinhado e desajeitado espaço público em Itália, efervescente em vida, aquele português parece, de uma forma exageradamente singular, um frágil sapato de cristal, de alta costura, mas sem bela formosa para o calçar....

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Bebendo a espuma dos dias

Uma chávena de chá.
(dedicada ao Mestre Godofredo, que me recordo uma vez ter partilhado a sua iluminada reflexão sobre a inutilidade da coerência - ou sobre a utilidade da incoerência, já não me recordo bem...)

“Nan-in, um Mestre Japonês da era Meiji (1868-1912), recebeu a visita de um professor universitário que vinha para interrogá-lo sobre o Zen.
Nan-in serviu o chá.
Encheu a chávena do seu hospite, e continuou a versar o chá.
O professor, vendo o chá extravasar, não consegui conter-se:«- Está cheia. Não cabe mais!»
« - Como esta chávena», disse Nan-in, «tu estás cheio das tuas opiniões e conjecturas. Como posso esplicar-te o Zen, se primeiro não esvazias a tua chávena?»”.(1)



Uma chávena de café "shakerato".
(dedicada ao amigo Mosca, também aluno Zen e meu habitual companheiro do café)

Ingredientes:
Caffé della moca*, dose para duas/três pessoas
2/3 Pedras de gelo por pessoa
Açúcar q.b.
Raspa de limão

Preparação:
1. Versar o café acabado de preparar no shaker, adicionar e diluir bem o açúcar.
2. Juntar as pedras de gelo e a raspa de limão, aplicar o shaker (este momento pode ser acompanhado por um samba). Agitar até que todo o conteúdo se transforme numa espuma densa cor-de-café.
3. Servir. (Aos puristas recomenda-se simples; aos amantes ocasionais do café, cortado com rum)


Uma mordidela na lingua.


"Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniôes ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se à terceira dentada na língua ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; senão fica calado.
Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio." (2)


Sem dúvida alguma, um óptimo remédio para muita gente...




*Cafeteira, em Português bem entendido
(1) Tradução livre: Senzaky, Nyogen; Reps, Paul; 101 Zen Stories, Charles E. Tuttle Company; Tokio; 1957
(2) Calvino, Italo; Palomar; Teorema; Lisboa; 1987

sábado, 18 de agosto de 2007

Desabafos, interlúdios e considerações breves sobre o instantâneo gastronomómico

1. Recordo-me, uns tempos atrás, de ouvir o Mosca alvitrar sobre como os nomes dos snacks, que nós temos como altas especialidades Portuguesas, se escondem sempre atrás de uma nomenclatura que, se de historicamente enraizado têm algo, a nós já não nos chegou, seja porque ninguém se interessou entretanto, seja porque ninguém se interessa, nestes instantes. Basta para o efeito lembrar-se de famigeradas iguarias como "francesinha", tosta "mista", "americana" ... ?
Depois vêm os italianos, que criticam fortemente a fast-food americana (hoje escrevem-se livros para serem vendidos como hamburgers, ouvi dizer ontem), que de resto prolifera, ainda que seja somente um fenómeno dentro das grandes cidades, voltadas ao turismo das massas, aliás, as duas coisas são ainda inseparaveis;
como se eles próprios não fossem uma espécie de preguiças penduradas nas árvores à espera de qualquer coisa para trincar desde que esta seja rápida e esteja polvilhada de queijo ou qualquer outra iguaria por sua vez anteriormente confeccionada e já preparada à degustação instantânea, e não menos importante, rotulada sob uma espécie de convenção ancestral que fundiu para sempre as regras sãs das combinações entre as coisas, e o nome pelo qual são conhecidas.
Senão repare-se bem na comida instantanea que por todo o lado sempre presente:
- a pizza, que não é senão uma confecção rápida com elementos já preparados, vegetais e verduras incluidas, só juntá-las e cobrir com quejo e está tudo pronto, feita com elevado numero dos referidos campeões da velocidade do corte e da raspadela, mais o inevitavel olio di oliva em abundância, que podes encontar "al taglio", ao corte, pronta a embalar e levar...
(da sopa, tao afamada em terras lusas sempre pronta a ser servida até na tasquita mais refundida, ainda não senti o perfume, com a desculpa que é uma coisa pouca estiva, mas cá por mim uma sopa de melão ou um creme bem frio cai sempre bem).
-as focaccia de azeite (ou outro pão qualquer) que podes mandar cortar e encher com as especialidades "froumagères"* contrafiadas com a mais refinada delicatessen italiana ( Prosciutto, Gambuccio, Culatello, Speck, Finochiona, Bresaola, Pancetta, Lonza,...) à escolha mesmo dentro do supermercado, aliás algo de uma conveniencia extraordinária,
- as piedine, especie de pão meio cozido, meio levedo, que depois de recheado com as anteriores especialidades basta passar na brasa por breves minutos e voilá!
- ...

2. Mesmo na preparação culinária mais cuidada o mote continua a ser o da velocidade, a titulo de exemplo:
- Carpaccio, fatia quase tranparente de carne crua, divinal, que depois do banho em azeite está pronta para servir.
- Bresaola, verdadeira especialidade fumada de carne de vitela, creme de la creme da arte dos enchidos,
- Carnes em geral, após uma passadela rápida na grelha, um salpicadela de rucola ou outra verdura fresca por cima e voilá, o prato principal está composto!

3. Pois bem, fala-se demasiado de comida e dos prazeres que ao palato dizem respeito. A contaminção não tardou em “engulir-me”, aliás essa era uma batalha perdida à partida, não fosse estar num sítio onde os prazeres imediatos ao corpo são a raiz cultural que une e divide o território...
Há que render-se aos desejos imediatos da carne, não há fuga possivel!


* Espressão arcaica do francês, que por aqui foram sempre vistos como uma estirpe culturalmente elevada e invejada:
Queijos: São incontaveis e todos eles um delirio do palato. Temos o apimentado Parmigiano, ou irmao menos forte GranaPadano (Quem conheça o Queijo da Ilha (S.Jorge) de cura prolongada (no minimo uns 6 mesitos, mas se forem 9 tanto melhor) sabe que não minto se disser que podem concorrer em pé de igualdade).
Depois temos o Peccorino, do Lazio, espécie de quejo de cabra meio-curado, nada que um queijo serrano da Estrela nao possa facilmente igualar ou superar, mas neste capitulo sou suspeito. O Stracchino, pastoso para barrar, branco, manteigoso, mas sem o sabor temperado; Robiola, tipo philadelfia, acido, desconcertante; Pecorino, sempre Lazio, queijo de cabra meio-curado, tipo serrano; Scamorza, em forma de botelha, "affumicato" é uma verdadeira "esquisitice"; Certosa, amanteigado fresco, ...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

um mes em balanço


Fontana di Trevi



Ed ecco! Passou um mes e nao é que se possa dizer que tenha tido tempo para fazer o "turista" (escaldado, one might say) pelas ruas de Roma esvaziadas de romanos (o ultimo fim-de-semana em Trastevere deu para perceber que a cidade estava abandonada aos turistas). E é com alguma pena que o constato. Se as primeiras semanas foram um corre-corre sem parar à procura de trabalho e de casa, as seguintes foram-se entre as viagens de uma costa à outra. Hoje apetecia-me mais Roma, mas nao é coisa que tenha de esperar assim tanto...

Apetecia-me...
Tenho uma vontade tremenda de rever os amigos que deixei para tras! Ah as conversas pela noite dentro nas Taipas fazem-me falta! E o pick-a-nick-for-a-train que nao chegou a ter lugar! As cervejolas à sombra da nogueira no Canto do Baco!
Ah, faz--me falta chegar ao fresco de casa dos pais nestes dias quentes de verao.
Faz-me falta tanta gente e tanta coisa! Até a pele estou a mudar...

Porto, tens-me emprestado o teu fascinio estranho todos estes anos, e eu já nao posso chamar "minha casa" a nenhum outro lugar.




Chiesa di Santo Vicenzio e Anastasio

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - parte VI Costa Adriatica

Fano - Jesi . Costa Adriatica


Em viagem em direcção à costa adriatica, atravessando montes e vales... ao longo da "flaminia" (percebo agora o verdadeiro alcance da expressão "todos os caminhos vao dar a Roma". Os principais eixos rodoviarios ainda hoje recalcam os traçados lastrados pelas maos romanas, com eterno centro ali....
- a ser explorado futuramente no artigo: As antigas portas de Roma e os principais eixos rodoviarios Romanos na Peninula italica)

Fano é uma cidade tipica de veraneantes, horizontal e alongada sobre a costa, no correr da praia, onde quase todos circulam em bicicleta, o que a mim à partida me agrada sobremaneira, especialmente tendo uma à disposição. Auguram-se mais giros matinais, pois por aqui o tempo parece nao correr, ou pelo menos corre devagar.
Acesso web gratuito no biblioteca, so de manha, praia de pedras roladas de tarde, e algumas voltas noturnas para o gelado....

Acho que por estes dias vou ser uma especie de Sr. Palomar...

sábado, 11 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - parte V Toscana. L'entroterra


às portas de Pitigliano. Burgo medieval


Toscana. Entroterra



Aqueles dois dias em Roma, que passamos "de passagem", constituiram uma especie de ritual , um tempo de amortização das coisas e do seu pesar, a preparação de um funeral de uma morte anunciada (neste caso pela chuva estiva do meio de agosto, e um frio a lembrar aquele de Setembro na Meda), a dos dias plenos de sol e muito tempo livre para o aproveitar.
Simultaneamente desolado pela inevitavel constatação que Setembro é o mês dos humores dificeis, uma cuspidela na cara e no espirito para relembrar que a Terra de novo volta a ser reclamada aos seus filhos naturais, o vento e a chuva; o vinho fervilha de novo nas pipas, e o Homem recolhe e retira-se à sua fortaleza esteril de cimento e asfalto, a cidade dentro dos muros, fora do "imundus"... , isolado à força dos seus deuses pagãos, e controlado sobre o olhar altivo da norma moral, que do alto da cupula de S.Pietro se anuncia a quase todas os montes, a quase todas as ruas.... e a conciliaçao entre os dois mundos continua por chegar...

Para tras ficaram os dias na Toscana, que começamos no Monte Argentario, uma "ilha" que, à força do acumular de detritos trazidos pelo rio Albegna, foi-se criando um prolongamento que acabou por junta-la ao continente, criando uma lagoa salgada entre os dois (onde "flutua" Orbetello, uma especie de Veneza muito modesta sem canais) fechada a norte pelo tombolo della Gianella e a sul por aquele da Feniglia, pedaço de paraiso sobre a terra, praia extensa a lembrar os mais vastos areais algarvios, de agua limpida e areia finissima... Nao sera preciso dizer que já os Romanos se faziam aproveitar destas preciosas terras, falta descobrir o porque de Argentario, mas isso sao outras cronicas, esperemos que de novo partilhadas com o velhote Sr. Giorgio, simpatiquissima companhia naqueles dias. ( A ver se me oferecem trabalho como reporter de viagem...)

E se nao bastasse a Feniglia, estava por descobrir Saturnia, inacreditaveis termas em cascata, ao ar livre, de papo-para-o-ar, submerso, o silencio abafado da agua tepida que escoa de poça em poça, e no horizonte vertical o espetaculo del tramonto, mil cores progressivamente subtituidas pelas estrelas sobre o fundo negro ( já agora, diz-se Magalhães, não magelano, e nem está lá em cima, nem nós fora dela), e uma serie de incandescentes rasgos que cruzam o ceu, alguem chamou de S.Lorenzo, projecteis ciclicos por esta altura do ano...
Assim se sonha a vida no campo! E como este campo toscano se parece, em certas passagens, às altas terras do Douro, e a subida até a serra!

Queijos, fumados e vinhos! divina combinaçao. Pizza al taglio, remendo da fome. Pao sempre seco, a menos que seja de azeite, venha antes uma bella focaccia, ou entao vai sempre a pizza in bianco. Pasta alla carbonara, pasta. E o café, o café!! No que toca à habilidade gastronomica, portugueses e italianos estão definitivamente no mesmo degrau.

Voltar a Siena, reviver Piazza del Campo, banhar-se no sol e deixar-se escoar de novo para o entroterra, perder-se pelo verde serpenteante e ouvir o sussuro das uvas que amadurecem...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria- parte IV Saturnia e a Maremma Argentaria


Piazza del Campo, Siena


De volta a Roma



Depois de uma semana de ferias pela Toscana, nada melhor do que voltar à cidade e encontrà-la cinzenta e banhada pela chuva de meio de Agosto. Nao e que nao haja cidade a quem o cinzento nao caia bem, mas uma especie de monotonia triste e repesada assola o espirito deste viajante acabado de chegar do campo toscano, que ainda traz sobre a pele a clara memoria da àgua tepida e sulfurosa das termas de Saturnia,sobre o cansaço de uns dias de campismo meio selvagem...

Ah, demasiado preguiçoso para avançar seja o que seja!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - Parte III I laghi: Martignano e Bracciano



Castel Sant'Angelo (às portas da via da conciliaçao / cidade do Vaticano)


Al lago di Bracciano



Para abrir o apetite....e continuar as comemoraçoes: nada melhor que uma segunda visita aos lagos a norte de Roma.
Domingo passado combinamos ir refrescar os ares para lados do Lago di Martignano, va tentaviva de fugir à manada, visto ser um lago consideravelmente pequeno e de acessos secundarios. Nem Pensar! Logo no fim do caminho de terra poeirenta se anuncia um parque de estacionamente semi-improvisado, explorado a 4 euros o carro. Aventureiros desiludidos com a extensao de metal, decidimos embrenhar-nos directamente no verde e descobrir, là embaixo, um pedaço de linha de agua mais recatado. Depois uma caminhada pò adentro por meio de um caminho apertado, sempre varrido pelo vento quente que levantava uma nuvem branca de po arido, um chega para là de quem passeia a cavalo e precisa de espaço para manobrar os possantes bichos, e la descobrimos o sendeiro descendente que rompia pelo mato encosta abaixo. Meia hora desde o carro até à agua para descobrir que todos os caminhos confluiam no mesmo local! Acabamos juntos com a maralha de gente que escapara do calor pavimentado dentro da cidade, e o melhor que se conseguiu foi uma pequena e tenue sombra por debaixo de uma timida arvorezita a uns bons 50 metros da linha de agua (sim é verdade, mais apinhado que as praias do Algarve em Agosto). Mas enfim, a agua quente-sopa (opiniao atlantica), um pouco fria (opiniao romana) chegou para finalmente resfriar...

Hoje foi a vez do enorme Lago Bracciano, mas com direito a ancoradouro privado, em casa de uns amigos.
Toda uma outra historia. Il dolce fare niente!
Ter direito reservado sobre a utilizaçao de um largo espaço que se estende desde a casa na encosta, com vista previligiada sobre a distancia, tipica casa de campo, (insectos esvoaçantes do tamhanho de bolas de bilhar incluidos, abatidos como quem distraidamente caça borboletas), à linha de àgua, em extensao horizontal, relembra-me claramente um estar primordial, um despertar dos sentidos, uma especie de celebraçao do animal natural.
E sem duvida que a agua, pelo menos nesta escala cumulada, lascada pelo vento, é o relaxante natural poe excelencia, convida simultaneamente a vigilia fisica e aquela mental.



(em continuaçao)

terça-feira, 31 de julho de 2007

Cronicas da vida provisoria - Parte II





Ho trovato casa, ho trovato lavoro!

Pois bem, ontem foi o dia das decisoes, e de celebraçoes, acabado com um repasto romano, calzone e ventaglio con la pasta al'uovo por bandas da Via Flaminia. E depois uma passeggiata nocturna a partir do Castel Santangelo pelo centro, entre praçetas e historia, truncado pela soberba fachada do Oratorio dei Filippini, inacreditavel trabalho num tijolo subtil practimente sem juntas, uniforme.
Render-se à evidencia de que todos os tempos tem um Borromini...


Et voilà!

Mudam os ares por aqui. Pela primeira vez em duas semanas ha nuvens no horizonte, e julgo que ameça chover ( bem agradecia!)
Espero que estas coincidencias sejam de bom auguro.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Carta em espécie de desabafo


Sede da Ordem dos Arquitectos de Roma




"a cidade é toda ela um espectaculo continuo de historia, entranhada em tudo o que recanto e viela. é fenomenal, embora eu a tenha vindo a conhecer de um modo perfeitamente aleatorio nestas corridas diarias ( tem sido sempre dois "colloquio"s por dia, um de manha e um de tarde) acabo por ver uma cidade retalhada aos bocados entre viagens de autocarro com tempos de espera dignos de um serviço algures no paquistao e um metro com duas linhas à escala do do Porto ( verdade seja dita, esta nova linha, com ar condicionado, é bem agradavel, pena a proibiçao a bicicleta), pena que Roma seja uma cidade bem maior, cheia de "centros" de interesse além do centro centro das "sete colli"....!

à parte estes giros diurnos debaixo de calor intenso porque muitas destas bestas (compreenderias a espressao) me fazem circular às duas da tarde para entrevistas, maioria das quais para me oferecerem compensaçao economica que para pouco mais serviria para pagar casa e estripar uns quantos cigarros (que por sinal nao sao tao caros quanto isso), e as deambulaçoes pelas faculdades e chamadas telefonicas interminaveis para procurar uma casa que nao me obrigue a ir dar o cuzinho para as margens do Lungotevere (um quarto de 10 metros quadrados chega a custar 500€ mais despesas)...

sai à noite no fim de semana, San lorenzo, famoso "bairro" dos estudantes, atras da Estaçao Termini....cervejola a 2 euros no chines ( nao circulam por aqui,como em Barcelona, os Paquis a vender bejecas a um euro directamente do saco de plastico, prontos a debandar ao minimo sinal da policia....) sentados no chao, calor abrasador, mesmo às duas da matina.....
um aperitivo na ponte milvio, coisa muito fashion, a perceber no momento de pagar a conta, isto é um assalto, desenbolsa ai uns belos 6 euros por uma "coronas" (F********), cheio de esplanadas, que sao o unico sitio onde estar: esplanadas e praças, tudo o que durante o dia esteve a aquecer ao sol e nao tiver ar condicionado nao serve para sentar este architetto portoghese a trepar as paredes qual osga em recarga energetica!!! "

Cronicas da vida provisoria - Parte I

e vao duas semanas!

...desde que sai do aviao em Ciampino poucas foram as vezes que sobre a minha pele o ar quente e mole desta cidade me deu treguas. recordo com exactidao a sensaçao de estar dentro de um forno - fosse Janeiro e estivesse muito mais a Norte e talvez nao seria um problema.

Roma é uma cidade que se esvazia depois dos "ferialli", ou feiras ( da segunda à sexta), e pelas ruas desertas consegues ouvir com bastante nitidez o som cristalino da agua que jorra ininterruptamente das fontes metalicas sem torneira que polvilham quase todas as esquinas. Ao que parece as reservas hidricas por aqui sao infindaveis, a julgar pela quantidade e enormidade de lagos em torno, e talvez so assim se perceba que tamanha concentraçao e exploraçao continuada do mesmo solo continue a ter um futuro por que ansear, mas isto sao consideraçoes de geografo, arrisco-me em areas desconhecidas...

Reservas e gastronomia.
Por incrivel que pareça, nao tenho comido tanta pasta quanto isso. é incrivel a variedade de pratos que se encontram para alem da tao exportada pasta e pizza italiana. é que quando toca a suar as estopinhas para saciar a fome (mais a sede) ha que ser inventivo. Uma vez mais, a agua tem sido fiel companheira nesta vida provisoria entre fechos incertos.

calor. e um ceu invertido de uma tonalidade pardacenta de azul palido.
juro que por vezes, olhando o recorte cimeiro de certos edificios, se ve passar a dita nuvem de Smog, esse bicho que atormenta as cidades modernas. que Calvino nao se tenha enganado... que eu prefiro fazer as vezes do Sr Palomar.

"
para começar, està um calor de fazer enlouquecer, e nao è força de expressao quando digo que até o alcatrao derrete ( derrete, mas è o dos passeios e estradas, sim, pq por aqui passeios feitos em microcubo è coisa que so lembraria ao diabo, uma vez mais me lembro que no que toca a construir nòs portugueses somos uns verdadeiros artesaos refinados, e o mesmo se aplica a tantas outra coisas do foro urbano, devem ter-se cansado jà no tempo dos romanos.. por aqui è mais: pega là esta camadita de alcatrao, ò passeio, ò estrada, e ve la se resistes mais uns tempos... o que acaba por acontecer è que as guias estao "enterradas" practicamente à mesma altura da estrada, em suma, uma oportunidade sempre apreciada para quem, à falta de marcaçao de faixas rodoviarias, aproveita para encontrar lugar para mais uma fila - comparados com os romanos, no que toca a conduçao, os milaneses sao suiços e os portugueses serao alemaes!!!:!!!!!......)"


nao que estes dias se tenham parecido minimamente com a despreocupada passagem dos dias quando em ferias. Até pelas sombras se caminha esbaforido.
esta Roma que eu fui percorrendo fui-a conhecendo descentralizada, de entrevista em entrevista (foram jà nove), e entre as esperas longas pelo transporte ( o metro ainda so tem duas linhas, cruzam na estaçao central - Termini - e os autocarros, abundantes, mas de uma pontualidade incerta ) e a procura do alimento, os dias esvaziam-se em metades, e as noites encurtadas pelo calor.

Arquitectos em Roma sao iguais a todos os outros. lenga-lenga do costume, a vida esta dificil, nao ha continuidade de trabalho, ..., a proposta de receber uns trocos por debaixo da mesa (por aqui diz-se "receber em negro"), ou fazer um concurso (logo em Agosto) para atestar competencias, modica quantia paga como sinal de seriedade minima, enquanto aqui o "architetto portoghese" dava o seu melhor trabalho e esquecia qualquer praia longinqua de aguas refrescantes nos tempos imediatos...

sei que nao nasci com o cu virado para a lua, por por amor de Deus! E um serio contrato com todas as despesas pagas, seguro e assistencia medica incluidos, ferias pagas, e carro da empresa ? Pois. bem podes continuar à espera. ( Ou entao foge do Sul, alguem disse)

A julgar como se conduz em roma, dir-se-ia estar na nao tao remota india. para começar nao ha linhas marcadas no chao, primeiro porque a manutençao rodoviaria escasseia, depois porque aqui o codigo serve para ser quebrado. A verdadeira lei do desenrasca, so lhes falta mesmo conseguir empinar o carro em duas rodas,...
...Com jeitinho cabe sempre mais um.

Aqui a linha nem separa, nem ordena.

Aventura pela noite.