Uma chávena de chá.
(dedicada ao Mestre Godofredo, que me recordo uma vez ter partilhado a sua iluminada reflexão sobre a inutilidade da coerência - ou sobre a utilidade da incoerência, já não me recordo bem...)
“Nan-in, um Mestre Japonês da era Meiji (1868-1912), recebeu a visita de um professor universitário que vinha para interrogá-lo sobre o Zen.
Nan-in serviu o chá.
Encheu a chávena do seu hospite, e continuou a versar o chá.
O professor, vendo o chá extravasar, não consegui conter-se:«- Está cheia. Não cabe mais!»
« - Como esta chávena», disse Nan-in, «tu estás cheio das tuas opiniões e conjecturas. Como posso esplicar-te o Zen, se primeiro não esvazias a tua chávena?»”.(1)
Uma chávena de café "shakerato".
(dedicada ao amigo Mosca, também aluno Zen e meu habitual companheiro do café)
Ingredientes:
Caffé della moca*, dose para duas/três pessoas
2/3 Pedras de gelo por pessoa
Açúcar q.b.
Raspa de limão
Preparação:
1. Versar o café acabado de preparar no shaker, adicionar e diluir bem o açúcar.
2. Juntar as pedras de gelo e a raspa de limão, aplicar o shaker (este momento pode ser acompanhado por um samba). Agitar até que todo o conteúdo se transforme numa espuma densa cor-de-café.
3. Servir. (Aos puristas recomenda-se simples; aos amantes ocasionais do café, cortado com rum)
Uma mordidela na lingua.
"Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniôes ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se à terceira dentada na língua ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; senão fica calado.
Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio." (2)
Sem dúvida alguma, um óptimo remédio para muita gente...
*Cafeteira, em Português bem entendido
(1) Tradução livre: Senzaky, Nyogen; Reps, Paul; 101 Zen Stories, Charles E. Tuttle Company; Tokio; 1957
(2) Calvino, Italo; Palomar; Teorema; Lisboa; 1987
depois de ser condenado à morte, um mestre chinês-do-qual-o-nome-não-memorizei teve de ser levado para o cimo de um monte afim de ser cumprida a (sua) sentença. como o percurso (ainda) era longo os executores decidiram fazer uma paragem junto a uma figueira. quando um dos executores ofereceu um figo ao mestre chinês, ele declinou; fazem-me mal à saúde, terá dito.
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