sábado, 18 de agosto de 2007

Desabafos, interlúdios e considerações breves sobre o instantâneo gastronomómico

1. Recordo-me, uns tempos atrás, de ouvir o Mosca alvitrar sobre como os nomes dos snacks, que nós temos como altas especialidades Portuguesas, se escondem sempre atrás de uma nomenclatura que, se de historicamente enraizado têm algo, a nós já não nos chegou, seja porque ninguém se interessou entretanto, seja porque ninguém se interessa, nestes instantes. Basta para o efeito lembrar-se de famigeradas iguarias como "francesinha", tosta "mista", "americana" ... ?
Depois vêm os italianos, que criticam fortemente a fast-food americana (hoje escrevem-se livros para serem vendidos como hamburgers, ouvi dizer ontem), que de resto prolifera, ainda que seja somente um fenómeno dentro das grandes cidades, voltadas ao turismo das massas, aliás, as duas coisas são ainda inseparaveis;
como se eles próprios não fossem uma espécie de preguiças penduradas nas árvores à espera de qualquer coisa para trincar desde que esta seja rápida e esteja polvilhada de queijo ou qualquer outra iguaria por sua vez anteriormente confeccionada e já preparada à degustação instantânea, e não menos importante, rotulada sob uma espécie de convenção ancestral que fundiu para sempre as regras sãs das combinações entre as coisas, e o nome pelo qual são conhecidas.
Senão repare-se bem na comida instantanea que por todo o lado sempre presente:
- a pizza, que não é senão uma confecção rápida com elementos já preparados, vegetais e verduras incluidas, só juntá-las e cobrir com quejo e está tudo pronto, feita com elevado numero dos referidos campeões da velocidade do corte e da raspadela, mais o inevitavel olio di oliva em abundância, que podes encontar "al taglio", ao corte, pronta a embalar e levar...
(da sopa, tao afamada em terras lusas sempre pronta a ser servida até na tasquita mais refundida, ainda não senti o perfume, com a desculpa que é uma coisa pouca estiva, mas cá por mim uma sopa de melão ou um creme bem frio cai sempre bem).
-as focaccia de azeite (ou outro pão qualquer) que podes mandar cortar e encher com as especialidades "froumagères"* contrafiadas com a mais refinada delicatessen italiana ( Prosciutto, Gambuccio, Culatello, Speck, Finochiona, Bresaola, Pancetta, Lonza,...) à escolha mesmo dentro do supermercado, aliás algo de uma conveniencia extraordinária,
- as piedine, especie de pão meio cozido, meio levedo, que depois de recheado com as anteriores especialidades basta passar na brasa por breves minutos e voilá!
- ...

2. Mesmo na preparação culinária mais cuidada o mote continua a ser o da velocidade, a titulo de exemplo:
- Carpaccio, fatia quase tranparente de carne crua, divinal, que depois do banho em azeite está pronta para servir.
- Bresaola, verdadeira especialidade fumada de carne de vitela, creme de la creme da arte dos enchidos,
- Carnes em geral, após uma passadela rápida na grelha, um salpicadela de rucola ou outra verdura fresca por cima e voilá, o prato principal está composto!

3. Pois bem, fala-se demasiado de comida e dos prazeres que ao palato dizem respeito. A contaminção não tardou em “engulir-me”, aliás essa era uma batalha perdida à partida, não fosse estar num sítio onde os prazeres imediatos ao corpo são a raiz cultural que une e divide o território...
Há que render-se aos desejos imediatos da carne, não há fuga possivel!


* Espressão arcaica do francês, que por aqui foram sempre vistos como uma estirpe culturalmente elevada e invejada:
Queijos: São incontaveis e todos eles um delirio do palato. Temos o apimentado Parmigiano, ou irmao menos forte GranaPadano (Quem conheça o Queijo da Ilha (S.Jorge) de cura prolongada (no minimo uns 6 mesitos, mas se forem 9 tanto melhor) sabe que não minto se disser que podem concorrer em pé de igualdade).
Depois temos o Peccorino, do Lazio, espécie de quejo de cabra meio-curado, nada que um queijo serrano da Estrela nao possa facilmente igualar ou superar, mas neste capitulo sou suspeito. O Stracchino, pastoso para barrar, branco, manteigoso, mas sem o sabor temperado; Robiola, tipo philadelfia, acido, desconcertante; Pecorino, sempre Lazio, queijo de cabra meio-curado, tipo serrano; Scamorza, em forma de botelha, "affumicato" é uma verdadeira "esquisitice"; Certosa, amanteigado fresco, ...

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