quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Desabafos, interlúdios e considerações breves sobre espaço público ...

(se há tipos prácticos são os italianos - que sobre isso não haja a mais pequena duvida-, mas no que toca ao campeonato do verdadeiro desenrascanço, cuja medalha de ouro teimam obstinadamente em oferecer-nos, o campeão em titulo chama-se tambem Itália)



Do ponto de vista cultural, sem dúvida que o peso da história é aqui evidentemente sublinhado no curto espaço entre gerações, ou pelo menos será acertado dizer que esse dito fosso entre gerações encontra-se encurtado, num país desde sempre obrigado a conviver e reviver (com) as velhas rotinas, fomentando um respeito inevitavel para com a história, com um forte sentido de comunidade, por reflexo obrigatório a um territorio humano saturado de alertas antigos concorrentes numa “dolce vita“ marcada a ferro e fogo na ideia comum do Belpaese...
E quando digo comunidade não quero com isso sublinhar qualquer ideia politica moderna, futurista, ou vermelha ou de esquerda, antes um conceito político de raiz (lembre-se PolisTikón), um conceito inerente à administração da polis, ao mundo de Remo encerrado dentro do pomério, onde inevitavelmente havia tarefas a ser divididas. A titulo de exemplo lembro que não há muitos anos no nosso país, e porventura ainda hoje num Alentejo pequeno e rural com traços de comunidade ainda profundos, a fonte e o forno representam um esforço mútuo no que diz respeito ao cumprimento das necessidades básicas da vida quotidiana.
Pois bem, precisamente a fonte e o forno são sem sinal de dúvida dois simbolos desta vida antiga em comunidade, que fizeram esta viagem de mais de dois milénios e, sem o menor espanto, fazem ainda hoje parte da rotina diária em Roma. E o mesmo se pode dizer das termas de que falei outro dia, as de Saturnia...
Há em Itália, e é inquestionavelmente um exemplo, coisas essencias do foro público que estão à disposição da inteira comunidade.
O reverso da medalha vejo-o eu em tudo ao que o detalhe do espaço publico diz respeito. Mas já lá vamos.
O nosso, o espaço público, que pouco uso tem, (excepção feita àquele relativo ao uso do carro, mas esse será uma outra coisa, de outro cariz, pelo menos, ainda assim temos a civilidade centro-europeia de conduzir, dentro da cidade, entre as marcações rodoviárias –sim, isto é uma critica à vossa condução, ò bárbaros romanos), a que um arquitecto Siciliano quis chamar os “Jardins Secos”,(a meu ver, expressão mais que acertada, basta pensar nas ultimas intervenções na Praça da Batalha, Aliados, Poveiros), espécie de museus-das-coisas–que-não-são-o-que-as-coisas-podiam-ser-mas-continuamos-orgulhosos-de-ter-estes-espaços-em-potência, um museu onde se mostra que houve (há) um tempo e um lugar de uso colectivo, mas que a ninguém parece importar, pelo menos pouco patente entre o comportamente nativo mas bastante menos sobre aquele importado.
Certo, entre praças-negativo-da-malha, esplanadas-de-recanto-de-passeio-protegidas-entre-plantas-envasadas, bancos-de-jardim-verde-de-separador-central-numa-via-larga, variadissimas sao as apropriações engendradas que muitas vezes nascem espontaneas como cogomelos.... lá fora, ou se cá dentro, sempre rodeadas de um recalcado valor turistico ou sentimental por um passado boémio do tempo dos grandes poetas.
Em Portugal, onde pouco ou nada disto acontece (assim acontecia, hoje ficou-nos um certo olhar), parece ser obrigatória uma espécie de via instituicional, há que requerer a papelada e preencher o impresso correcto, pedir autorização a um dito El-Rey-de-uma-bela-merda e esperar que um Arquitecto-Chuchão interprete o alinhamento sideral de Venus com nao sei que coisa, que a Sociedade-Construtora-Chapa-Quatro-vulgo-Administração-Encapuçada aguarde o momento em que Estado-que-supostamente-somos-todos-nós apanhe o sabão e zás-tráz, a obra nasce, Deus não quis coisa nenhuma, e o Homem afinal tinha sonhado, mas era com a Katherine Hepburn....
...se no País-das-bananas querem ver frutos, talvez seja melhor começar por plantar bananeiras nas praças.

Não que este processo seja diferente noutras paragens, pelo menos no Sul mediterranico, mas como sempre, há uma linha invisivel que divide, e no que toca a aparencias, Espanha e Itália tem muito mais a oferecer ao flaneur à deriva.
O lado perverso da coisa é que como tudo o que se expõe a um uso continuado acaba por ganhar um desgaste profundo, então a estratégia (pelo menos a italiana, quer-me parecer; nuestros hermanos situam-se num patamar intercalar) parece ser não dispender demasiados esforços no detalhe com o qual as coisas são construidas, ao ponto de me questionar se realmente chegam a ser desenhadas em projecto (aquele real, como nos ensinaram a nós, escrutinado pela escala do pormenor, do detalhe minimal, onde só falta dizer às formigas por onde caminhar....), ou se são um mero exercicio de conhecimentos por quem assenta as mãos directamente na obra material. Só assim, e voltando ao tema, se entende como possa imperar, sempre e de cada vez, a lei do desenrascanço, mas um desenrascanço que olha ao lado mais practico das coisas, sem se demorar no detalhe, que investe claramente contra a legislação mais genérica, e de forma chocante o senso comum, pelo menos aquele português. Quero com isto dizer que fico sempre chocado com a displicencia com que são tratados os acabamentos nas ruas, passeios, praças, jardins, esplanadas, ao ponto de tudo ser uma colecção de remendos e contra-remendos, enfim, suporte horizontal qual manta de retalhos velha e gasta, mil vezes rota e remendada, mortalha negligenciada, afastada do centro da atenção pela riqueza da cidade vertical, aquela que se ergue do chão imundo, pararela ao plano do olhar. Talvez a lição seja mesmo essa, a de que temos de deixar de olhar tanto para o chão.
E é este contraste, entre o uso do espaço e a preparação do mesmo, que me deixa deveras consternado. Comparativamente ao desalinhado e desajeitado espaço público em Itália, efervescente em vida, aquele português parece, de uma forma exageradamente singular, um frágil sapato de cristal, de alta costura, mas sem bela formosa para o calçar....

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Bebendo a espuma dos dias

Uma chávena de chá.
(dedicada ao Mestre Godofredo, que me recordo uma vez ter partilhado a sua iluminada reflexão sobre a inutilidade da coerência - ou sobre a utilidade da incoerência, já não me recordo bem...)

“Nan-in, um Mestre Japonês da era Meiji (1868-1912), recebeu a visita de um professor universitário que vinha para interrogá-lo sobre o Zen.
Nan-in serviu o chá.
Encheu a chávena do seu hospite, e continuou a versar o chá.
O professor, vendo o chá extravasar, não consegui conter-se:«- Está cheia. Não cabe mais!»
« - Como esta chávena», disse Nan-in, «tu estás cheio das tuas opiniões e conjecturas. Como posso esplicar-te o Zen, se primeiro não esvazias a tua chávena?»”.(1)



Uma chávena de café "shakerato".
(dedicada ao amigo Mosca, também aluno Zen e meu habitual companheiro do café)

Ingredientes:
Caffé della moca*, dose para duas/três pessoas
2/3 Pedras de gelo por pessoa
Açúcar q.b.
Raspa de limão

Preparação:
1. Versar o café acabado de preparar no shaker, adicionar e diluir bem o açúcar.
2. Juntar as pedras de gelo e a raspa de limão, aplicar o shaker (este momento pode ser acompanhado por um samba). Agitar até que todo o conteúdo se transforme numa espuma densa cor-de-café.
3. Servir. (Aos puristas recomenda-se simples; aos amantes ocasionais do café, cortado com rum)


Uma mordidela na lingua.


"Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniôes ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se à terceira dentada na língua ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; senão fica calado.
Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio." (2)


Sem dúvida alguma, um óptimo remédio para muita gente...




*Cafeteira, em Português bem entendido
(1) Tradução livre: Senzaky, Nyogen; Reps, Paul; 101 Zen Stories, Charles E. Tuttle Company; Tokio; 1957
(2) Calvino, Italo; Palomar; Teorema; Lisboa; 1987

sábado, 18 de agosto de 2007

Desabafos, interlúdios e considerações breves sobre o instantâneo gastronomómico

1. Recordo-me, uns tempos atrás, de ouvir o Mosca alvitrar sobre como os nomes dos snacks, que nós temos como altas especialidades Portuguesas, se escondem sempre atrás de uma nomenclatura que, se de historicamente enraizado têm algo, a nós já não nos chegou, seja porque ninguém se interessou entretanto, seja porque ninguém se interessa, nestes instantes. Basta para o efeito lembrar-se de famigeradas iguarias como "francesinha", tosta "mista", "americana" ... ?
Depois vêm os italianos, que criticam fortemente a fast-food americana (hoje escrevem-se livros para serem vendidos como hamburgers, ouvi dizer ontem), que de resto prolifera, ainda que seja somente um fenómeno dentro das grandes cidades, voltadas ao turismo das massas, aliás, as duas coisas são ainda inseparaveis;
como se eles próprios não fossem uma espécie de preguiças penduradas nas árvores à espera de qualquer coisa para trincar desde que esta seja rápida e esteja polvilhada de queijo ou qualquer outra iguaria por sua vez anteriormente confeccionada e já preparada à degustação instantânea, e não menos importante, rotulada sob uma espécie de convenção ancestral que fundiu para sempre as regras sãs das combinações entre as coisas, e o nome pelo qual são conhecidas.
Senão repare-se bem na comida instantanea que por todo o lado sempre presente:
- a pizza, que não é senão uma confecção rápida com elementos já preparados, vegetais e verduras incluidas, só juntá-las e cobrir com quejo e está tudo pronto, feita com elevado numero dos referidos campeões da velocidade do corte e da raspadela, mais o inevitavel olio di oliva em abundância, que podes encontar "al taglio", ao corte, pronta a embalar e levar...
(da sopa, tao afamada em terras lusas sempre pronta a ser servida até na tasquita mais refundida, ainda não senti o perfume, com a desculpa que é uma coisa pouca estiva, mas cá por mim uma sopa de melão ou um creme bem frio cai sempre bem).
-as focaccia de azeite (ou outro pão qualquer) que podes mandar cortar e encher com as especialidades "froumagères"* contrafiadas com a mais refinada delicatessen italiana ( Prosciutto, Gambuccio, Culatello, Speck, Finochiona, Bresaola, Pancetta, Lonza,...) à escolha mesmo dentro do supermercado, aliás algo de uma conveniencia extraordinária,
- as piedine, especie de pão meio cozido, meio levedo, que depois de recheado com as anteriores especialidades basta passar na brasa por breves minutos e voilá!
- ...

2. Mesmo na preparação culinária mais cuidada o mote continua a ser o da velocidade, a titulo de exemplo:
- Carpaccio, fatia quase tranparente de carne crua, divinal, que depois do banho em azeite está pronta para servir.
- Bresaola, verdadeira especialidade fumada de carne de vitela, creme de la creme da arte dos enchidos,
- Carnes em geral, após uma passadela rápida na grelha, um salpicadela de rucola ou outra verdura fresca por cima e voilá, o prato principal está composto!

3. Pois bem, fala-se demasiado de comida e dos prazeres que ao palato dizem respeito. A contaminção não tardou em “engulir-me”, aliás essa era uma batalha perdida à partida, não fosse estar num sítio onde os prazeres imediatos ao corpo são a raiz cultural que une e divide o território...
Há que render-se aos desejos imediatos da carne, não há fuga possivel!


* Espressão arcaica do francês, que por aqui foram sempre vistos como uma estirpe culturalmente elevada e invejada:
Queijos: São incontaveis e todos eles um delirio do palato. Temos o apimentado Parmigiano, ou irmao menos forte GranaPadano (Quem conheça o Queijo da Ilha (S.Jorge) de cura prolongada (no minimo uns 6 mesitos, mas se forem 9 tanto melhor) sabe que não minto se disser que podem concorrer em pé de igualdade).
Depois temos o Peccorino, do Lazio, espécie de quejo de cabra meio-curado, nada que um queijo serrano da Estrela nao possa facilmente igualar ou superar, mas neste capitulo sou suspeito. O Stracchino, pastoso para barrar, branco, manteigoso, mas sem o sabor temperado; Robiola, tipo philadelfia, acido, desconcertante; Pecorino, sempre Lazio, queijo de cabra meio-curado, tipo serrano; Scamorza, em forma de botelha, "affumicato" é uma verdadeira "esquisitice"; Certosa, amanteigado fresco, ...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

um mes em balanço


Fontana di Trevi



Ed ecco! Passou um mes e nao é que se possa dizer que tenha tido tempo para fazer o "turista" (escaldado, one might say) pelas ruas de Roma esvaziadas de romanos (o ultimo fim-de-semana em Trastevere deu para perceber que a cidade estava abandonada aos turistas). E é com alguma pena que o constato. Se as primeiras semanas foram um corre-corre sem parar à procura de trabalho e de casa, as seguintes foram-se entre as viagens de uma costa à outra. Hoje apetecia-me mais Roma, mas nao é coisa que tenha de esperar assim tanto...

Apetecia-me...
Tenho uma vontade tremenda de rever os amigos que deixei para tras! Ah as conversas pela noite dentro nas Taipas fazem-me falta! E o pick-a-nick-for-a-train que nao chegou a ter lugar! As cervejolas à sombra da nogueira no Canto do Baco!
Ah, faz--me falta chegar ao fresco de casa dos pais nestes dias quentes de verao.
Faz-me falta tanta gente e tanta coisa! Até a pele estou a mudar...

Porto, tens-me emprestado o teu fascinio estranho todos estes anos, e eu já nao posso chamar "minha casa" a nenhum outro lugar.




Chiesa di Santo Vicenzio e Anastasio

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - parte VI Costa Adriatica

Fano - Jesi . Costa Adriatica


Em viagem em direcção à costa adriatica, atravessando montes e vales... ao longo da "flaminia" (percebo agora o verdadeiro alcance da expressão "todos os caminhos vao dar a Roma". Os principais eixos rodoviarios ainda hoje recalcam os traçados lastrados pelas maos romanas, com eterno centro ali....
- a ser explorado futuramente no artigo: As antigas portas de Roma e os principais eixos rodoviarios Romanos na Peninula italica)

Fano é uma cidade tipica de veraneantes, horizontal e alongada sobre a costa, no correr da praia, onde quase todos circulam em bicicleta, o que a mim à partida me agrada sobremaneira, especialmente tendo uma à disposição. Auguram-se mais giros matinais, pois por aqui o tempo parece nao correr, ou pelo menos corre devagar.
Acesso web gratuito no biblioteca, so de manha, praia de pedras roladas de tarde, e algumas voltas noturnas para o gelado....

Acho que por estes dias vou ser uma especie de Sr. Palomar...

sábado, 11 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - parte V Toscana. L'entroterra


às portas de Pitigliano. Burgo medieval


Toscana. Entroterra



Aqueles dois dias em Roma, que passamos "de passagem", constituiram uma especie de ritual , um tempo de amortização das coisas e do seu pesar, a preparação de um funeral de uma morte anunciada (neste caso pela chuva estiva do meio de agosto, e um frio a lembrar aquele de Setembro na Meda), a dos dias plenos de sol e muito tempo livre para o aproveitar.
Simultaneamente desolado pela inevitavel constatação que Setembro é o mês dos humores dificeis, uma cuspidela na cara e no espirito para relembrar que a Terra de novo volta a ser reclamada aos seus filhos naturais, o vento e a chuva; o vinho fervilha de novo nas pipas, e o Homem recolhe e retira-se à sua fortaleza esteril de cimento e asfalto, a cidade dentro dos muros, fora do "imundus"... , isolado à força dos seus deuses pagãos, e controlado sobre o olhar altivo da norma moral, que do alto da cupula de S.Pietro se anuncia a quase todas os montes, a quase todas as ruas.... e a conciliaçao entre os dois mundos continua por chegar...

Para tras ficaram os dias na Toscana, que começamos no Monte Argentario, uma "ilha" que, à força do acumular de detritos trazidos pelo rio Albegna, foi-se criando um prolongamento que acabou por junta-la ao continente, criando uma lagoa salgada entre os dois (onde "flutua" Orbetello, uma especie de Veneza muito modesta sem canais) fechada a norte pelo tombolo della Gianella e a sul por aquele da Feniglia, pedaço de paraiso sobre a terra, praia extensa a lembrar os mais vastos areais algarvios, de agua limpida e areia finissima... Nao sera preciso dizer que já os Romanos se faziam aproveitar destas preciosas terras, falta descobrir o porque de Argentario, mas isso sao outras cronicas, esperemos que de novo partilhadas com o velhote Sr. Giorgio, simpatiquissima companhia naqueles dias. ( A ver se me oferecem trabalho como reporter de viagem...)

E se nao bastasse a Feniglia, estava por descobrir Saturnia, inacreditaveis termas em cascata, ao ar livre, de papo-para-o-ar, submerso, o silencio abafado da agua tepida que escoa de poça em poça, e no horizonte vertical o espetaculo del tramonto, mil cores progressivamente subtituidas pelas estrelas sobre o fundo negro ( já agora, diz-se Magalhães, não magelano, e nem está lá em cima, nem nós fora dela), e uma serie de incandescentes rasgos que cruzam o ceu, alguem chamou de S.Lorenzo, projecteis ciclicos por esta altura do ano...
Assim se sonha a vida no campo! E como este campo toscano se parece, em certas passagens, às altas terras do Douro, e a subida até a serra!

Queijos, fumados e vinhos! divina combinaçao. Pizza al taglio, remendo da fome. Pao sempre seco, a menos que seja de azeite, venha antes uma bella focaccia, ou entao vai sempre a pizza in bianco. Pasta alla carbonara, pasta. E o café, o café!! No que toca à habilidade gastronomica, portugueses e italianos estão definitivamente no mesmo degrau.

Voltar a Siena, reviver Piazza del Campo, banhar-se no sol e deixar-se escoar de novo para o entroterra, perder-se pelo verde serpenteante e ouvir o sussuro das uvas que amadurecem...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria- parte IV Saturnia e a Maremma Argentaria


Piazza del Campo, Siena


De volta a Roma



Depois de uma semana de ferias pela Toscana, nada melhor do que voltar à cidade e encontrà-la cinzenta e banhada pela chuva de meio de Agosto. Nao e que nao haja cidade a quem o cinzento nao caia bem, mas uma especie de monotonia triste e repesada assola o espirito deste viajante acabado de chegar do campo toscano, que ainda traz sobre a pele a clara memoria da àgua tepida e sulfurosa das termas de Saturnia,sobre o cansaço de uns dias de campismo meio selvagem...

Ah, demasiado preguiçoso para avançar seja o que seja!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Cronicas da vida provisoria - Parte III I laghi: Martignano e Bracciano



Castel Sant'Angelo (às portas da via da conciliaçao / cidade do Vaticano)


Al lago di Bracciano



Para abrir o apetite....e continuar as comemoraçoes: nada melhor que uma segunda visita aos lagos a norte de Roma.
Domingo passado combinamos ir refrescar os ares para lados do Lago di Martignano, va tentaviva de fugir à manada, visto ser um lago consideravelmente pequeno e de acessos secundarios. Nem Pensar! Logo no fim do caminho de terra poeirenta se anuncia um parque de estacionamente semi-improvisado, explorado a 4 euros o carro. Aventureiros desiludidos com a extensao de metal, decidimos embrenhar-nos directamente no verde e descobrir, là embaixo, um pedaço de linha de agua mais recatado. Depois uma caminhada pò adentro por meio de um caminho apertado, sempre varrido pelo vento quente que levantava uma nuvem branca de po arido, um chega para là de quem passeia a cavalo e precisa de espaço para manobrar os possantes bichos, e la descobrimos o sendeiro descendente que rompia pelo mato encosta abaixo. Meia hora desde o carro até à agua para descobrir que todos os caminhos confluiam no mesmo local! Acabamos juntos com a maralha de gente que escapara do calor pavimentado dentro da cidade, e o melhor que se conseguiu foi uma pequena e tenue sombra por debaixo de uma timida arvorezita a uns bons 50 metros da linha de agua (sim é verdade, mais apinhado que as praias do Algarve em Agosto). Mas enfim, a agua quente-sopa (opiniao atlantica), um pouco fria (opiniao romana) chegou para finalmente resfriar...

Hoje foi a vez do enorme Lago Bracciano, mas com direito a ancoradouro privado, em casa de uns amigos.
Toda uma outra historia. Il dolce fare niente!
Ter direito reservado sobre a utilizaçao de um largo espaço que se estende desde a casa na encosta, com vista previligiada sobre a distancia, tipica casa de campo, (insectos esvoaçantes do tamhanho de bolas de bilhar incluidos, abatidos como quem distraidamente caça borboletas), à linha de àgua, em extensao horizontal, relembra-me claramente um estar primordial, um despertar dos sentidos, uma especie de celebraçao do animal natural.
E sem duvida que a agua, pelo menos nesta escala cumulada, lascada pelo vento, é o relaxante natural poe excelencia, convida simultaneamente a vigilia fisica e aquela mental.



(em continuaçao)